leia e me dê sua crítica
Falando em mulher e em vergonha de assumir uma surra, lembrei do negão. Não do vibrador da minha tia adúltera, me refiro a um pleba-fdp. Apanhei dele no final de 98. Apanhei desgraçadamente, de cinto. O motivo foi a desconfiança de que eu estaria investindo minha lábia cibernética sobre a irmã dele, de 13 anos. Eu a queria mesmo, e ela também não procurava fugir muito. Um dia, eu nos alertei sobre o perigo do negão e comparsas descobrirem sobre nossa amizade. Como eu tava ficando nervoso com isso, ela me acalmou dizendo que resolveria de uma vez: contaria a ele que nós éramos só amigos, nos encontrávamos aos sábados no interbelém, que eu era um nerd gente boa, e ainda o convidaria para se juntar ao nosso ponto de encontro maloqueiro.
Fiquei aliviado e até arrisquei encarar denovo o pleba ciumento – que me devolveu um sorriso enigmático, mas amistoso. Quando fui retribuir a gentileza ele já tinha virado a cara.
A verdade é que eu nem era tão gamado assim. Estava mesmo afim de uma loira de Paragominas, filha de madeireiro, novata na ocasião. Ela tinha a minha idade, comportava-se semelhante às nerdas e tinha olhos tão escuros que contrastavam com a brancura da sua tez púbere e quase albina. Aquela era a coisa mais linda que eu tinha visto andando sobre duas lindas pernas – com silhueta muito bem aparada por um par de seios em crescimento que saltitavam às vistas de qualquer frade marista.
Em poucos meses eu já trocava olhares confidenciais com a Olhos-negros. Sempre combinávamos em silêncio de nos ver perto da bonbonnière menor, ao lado do auditório, logo depois da campa do recreio. Ás vezes o Língua-amarela não tinha troco para os 50 reais dela – e eu gentilmente lhe comprava um snick-bar ou a enchia a mão de mm’s. Derramava na maciez das mãos dela mais ou menos a metade, nem me doía dar pra ela os marronzinhos – meus preferidos. Orgulhoso, saciava-lhe a fome. Ela sorria e, sem nem me agradecer, dava-me as costas. Nesse dia ela me apertou a mão e disse “valeu”. E se foi. Antes de ir de vez eu tomei coragem e alisei todo o rabo de cabelo de ouro dela.
Não sei se ela sentiu, mas nesse dia eu resolvi furar a sagrada garrafinha para ir chorar no auditório vazio. Ali eu me sentia bem, ligava poucas luzes. Sentava na última cadeira de frente para o palco. Ascendi um cigarro metafísico (não fumava) e pensava em como regeria uma peça contracenada por mim e pela Olhos-negros.
Surdo e cego, eu era Rick, dono de um cassino clandestino. Melhor, seria Billy-the-kid, e ela seria a filha do xerife local.
Aceitei um trabalho qualquer na fazenda de seu pai. Dormia no palheiro. À noite, quando ela me visitava no curral, fazíamos sexo aos 13 anos. Um sexo sem penetração e sem pêlos. Toda noite era isso, trocávamos confidências. Ela se mostrava ciumenta com uma das escravinhas, representada pela irmã do negão – agradecida pelo papel da linda negrinha sedutora.
Nessa noite, enquanto eu descansava no palheiro, ouvi a porta ranger. Não tínhamos mais assunto. Era ela. Estava louco com a possibilidade de ver seus seios e apertar meu sexo contra o dela. Peidei de emoção e de medo pois essa noite eu finalmente a possuiria. Midnight Cowboys seria o fundo ideal para nosso gozo aloprado. Ouvi seus passos vindo em minha direção, por trás. Abaixei mais a aba do meu chapéu para fingir que estava dormindo para ser pego de surpresa e de pau duro. Mas os braços que me abraçaram de surpresa se enroscaram no meu pescoço com demasiada força.
Uma gravata de porteiro me levantou do palheiro ao auditório. Com as cortinas fechadas, não conseguia enxergar meu agressor. Gargalhadas ascenderam todas as lâmpadas do auditório – branco e de generosas proporções. Negão e dois primos eram meus rivais. Esperneava feito uma barata quando fui lambado na coxa, depois na barriga. Um soco, dois socos. Minhas pálpebras eram a saída para fugir dali pelo sono sem sonhos da desonra completa.